sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Sertão

O tempo
se encarrega de fingir que está tudo em seu lugar
enquanto empoeira a casa vazia
agora cheia de mémorias

O sol
atravessa tão seco por entre as vidraças das janelas
que não alcança o assoalho
onde não pisam mais seus dois pés

As paredes
escorrem o verde que você escolheu
revelando a brancura angustiante de um papel virgem
donde ainda não se sabe o que desenhar

O quintal matou-se de imediato!
Levando consigo cachorro e jabuticabeira

Nas miseráveis sobras de ti
ainda enfrento um rio de margens secas
já que agora nenhum chôro é apropriado

Um córrego sem lágrimas, que nem sei se alcança o mar...

2 Comentários:

Blogger Aroeira disse...

lindo!

13 de agosto de 2011 19:27  
Blogger Liquidificador a Gas disse...

Das perdas inevitáveis!

7 de outubro de 2011 23:18  

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